Os ’42 mais 75’ da John Deere em Canoas e novo modelo de negócios no campo; o Agro é super tech
Empresa anunciou novo aporte de R$ 75 milhões para desenvolvimento de componentes eletrônicos em Canoas — investimento que se soma aos R$ 42 milhões já aplicados à fábrica inaugurada em janeiro
Canoas praticamente não tem área rural, mas o polo de produção de implementos agrícolas instalado na cidade a coloca no mapa do agro brasileiro — e não é de hoje. Semana passada, a John Deere, empresa quase bicentenária fundada por um ferreiro de Illinois, nos EUA, anunciou mais um aporte em sua fábrica na cidade. Serão R$ 75 milhões para desenvolvimento e produção de novos componentes eletrônicos para máquinas agrícolas e de construção. Somados aos R$ 42 milhões investimentos para a abertura da fábrica, em janeiro deste ano, a empresa já colocou R$ 112 milhões em seus planos de expansão na cidade.
A atual planta da John Deere tem 12 mil metros quadrados de área construída em um terreno com 39 mil metros quadrados — o que permite, inclusive, uma rápida ampliação do prédio. A fábrica foi totalmente projetada para o uso de novas tecnologias produtivas, inclusive o uso de inteligência artificial aplicada à produção e a IoT, a Internet das Coisas, tendência mundial de “sensorização” dos ambientes produtivos para ganhos de produtividade em escala.
Aqui em Canoas, a John Deere está produzindo o pulverizador 1025E, que chega ao mercado como o modelo mais moderno da categoria, com as primeiras entregas previstas para o mês de agosto. Além do desempenho como trator de uso típico em terrenos acidentados, íngremes e irregulares, o 1025E tem como atrativo a alta tecnologia embarcada. Segundo a John Deere, o equipamento entrega ‘na palma da mão’ do agricultor dados sobre a cobertura da aplicação do insumo com precisão sinalizada por GPS, quantidade de produto utilizado por área e até o cruzamento com informações de aplicações anteriores.
"O investimento em Canoas reflete a confiança da empresa no crescimento contínuo do setor agrícola brasileiro. Nosso compromisso se consolida com constantes investimentos em capacidade de produção e desenvolvimento de soluções avançadas, pois acreditamos no Brasil como imprescindível na produção mundial de alimentos”, afirmou Joaquin Fernandez, vice-presidente de Manufatura da John Deere para América do Sul, à época do anúncio da fábrica na cidade.
Novo investimento: mais tecnologia
Desta vez, os R$ 75 milhões que a empresa anuncia vão ser aplicados não em um trator, mas no “cérebro” dele. A John Deere pretende produzir em Canoas os componentes eletrônicos e de sensorização para toda sua linha de implementos agrícolas. A nova linha fará a montagem final de módulos inteligentes de controle, receptores de sinal GPS de alta precisão, monitores e guias de orientação. Entre os equipamentos previstos aparece o receptor StarFire — antena de navegação por satélite muito usada na agricultura de precisão. Os módulos controlam funções eletrônicas das máquinas. Os demais sistemas apoiam posicionamento, orientação e integração de recursos digitais nos equipamentos.
A estratégia de embarcar mais inovação em suas máquinas está em de acordo com a avaliação da empresa de que o agronegócio brasileiro tende a expandir e que há muito mercado ainda pouco explorado para equipamentos e produtos de alta tecnologia no campo. Se antes o produtor buscava apenas um trator robusto, agora ele dá valor às demais ‘entregas’ que ele dá — além da força.
A previsão da empresa é dar início à produção dos novos componentes até julho de 2027.
Com informações divulgadas pela Comunicação da John Deere.