Raio-X do futuro: Canoas 2036 — Pulso360
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Raio-X do futuro: Canoas 2036

Não é todo dia que a gente vê um site novinho surgindo para informar e discutir a cidade — então a pauta de estreia também não podia ser uma pauta comum

Rodrigo Becker
Rodrigo Becker
02/07/2026 às 01:22 Revisão: 09/07/2026 às 14:41
Raio-X do futuro: Canoas 2036

Foi aí que surgiu a ideia: por que não conversar com líderes empresariais, empresários do chão de fábrica e quem comanda nossa cidade para encontrar as forças, fraquezas, ameaças e oportunidades de Canoas? O resultado dessa SWOT que propusemos retrata os caminhos da cidade para os próximos anos e onde nossas lideranças identificam os nós que precisam ser desatados rumo ao desenvolvimento. 

Convidamos o prefeito e o vice de Canoas, Airton Souza e Rodrigo Busato, para responderem o questionamento. O presidente da Câmara, Abamael Oliveira, também respondeu. Os líderes das principais entidades empresariais também: o presidente da CICS, Dautro Ribeiro; a presidente da CDL, Deise Nunes; e o presidente do Sindilojas, Adnan Zarruk.

Também conversamos com dois empresários de destaque da cidade: o fundador da Full Gauge, Antônio Gobbi, e Simone Leite, uma das principais referências empreendedoras da cidade.

Também pedimos a contribuição do diretor de Relações Institucionais da Ulbra, Ruy Irigaray, e do reitor da Unilasalle, Ir. Cledes Casagrande.


O que Canoas tem de melhor para os próximos 10 anos?

Localização ganhou nota de 10 de 10 entre os nossos entrevistados. Para eles, o ponto geográfico onde a cidade está é estratégico. "Nossa posição geográfica na região metropolitana é estratégica, cortada por eixos logísticos vitais (BR-116 e BR-448) e colada no aeroporto. Somos um hub natural de escoamento e distribuição do RS", lembrou o reitor da Universidade La Salle, Irmão Cledes Casagrande. "É o coração da Região Metropolitana, conectada a grandes centros consumidores", somou Simone Leite.

Para uma cidade que produz — Canoas é terceiro maior PIB do Estado, a segunda cidade em arrecadação de ICMS perdendo apenas para a capital, Porto Alegre —, ter acesso fácil às rodovias que tem se torna um diferencial. "A ideia é revitalizar a BR-116, transformar em uma vitrine do que Canoas produz de melhor", avança o empresário Antônio Gobbi.


As dores que ninguém gosta de admitir ou falar em público?

Sobre as fraquezas que devemos enfrentar para crescer nos próximos 10 anos, nossos entrevistados são mais heterogêneos. Enquanto o prefeito Airton Souza lembra a necessidade de qualificar a nossa mão-de-obra, Ruy Irigaray comenta sobre unidade de ação. "O que precisamos é fortalecer ainda mais a integração entre poder público, setor produtivo, instituições de ensino e sociedade civil. Quando esses atores caminham juntos, os projetos ganham escala, a inovação acontece com mais rapidez e o desenvolvimento chega de forma mais consistente para toda a comunidade", disse.

Já Simone Leite traz a tona os gargalos de estruturais da cidade, como drenagem urbana e mobilidade, para citar dois exemplos. "A cidade ainda convive com problemas estruturais que limitam seu potencial", afirmou.


Onde a economia vai girar na próxima década?

Para o vice-prefeito Rodrigo Busato, a reconstrução da cidade pós-enchete é uma grande oportunidade. "As obras, a habitação, a logística, a indústria e a tecnologia vão abrir espaço para novos investimentos e mais empregos. Quem estiver preparado vai crescer junto com Canoas", avaliou

Ruy Irigaray ponderou que a próxima década deve ser regida pela 'economia do conhecimento'. "Tecnologia, saúde, educação, inteligência artificial, indústria avançada, sustentabilidade e logística inteligente estarão entre os principais motores do desenvolvimento", antecipou. O presidente da Câmara, Abmael Oliveira, retomou o tema da sustentabilidade e da adaptação às mudanças climáticas como uma necessidade.

Adna Zarruk, do Sindilojas, colocou a tecnologia, a logística 4.0 e a economia do cuidado como novas chances que se apresentam à cidade — mas fez uma ressalva: "Tecnologia só cresce onde há logística, mão de obra qualificada e qualidade de vida".


E o que pode dar errado no meio do caminho?

"A cidade pode perder competitividade se não avançar em infraestrutura, mobilidade, segurança, drenagem, planejamento urbano e especialmente qualidade de vida para sua população", apontou Simone Leite, numa discussão que permeou todas as respostas.





Forças — Canoas tem localização estratégica, economia diversificada, infraestrutura logística e um ambiente cada vez mais favorável para quem quer empreender. Esses fatores nos dão uma base sólida para crescer nos próximos anos.

Fraquezas — Precisamos ampliar a qualificação da mão de obra e aumentar a competitividade em alguns setores da economia para acompanhar a velocidade das transformações do mercado.

Oportunidades — Vejo grande potencial na indústria e também no setor de comércio e serviços da nossa cidade. Com menos burocracia e mais investimentos, Canoas tem todas as condições de atrair empresas, gerar empregos e diversificar ainda mais sua economia.

Ameaças — O grande desafio é manter Canoas cada vez mais competitiva diante de cidades que também disputam investimentos e novos negócios. Já estamos no caminho certo, com menos burocracia, mais investimentos e um ambiente favorável ao empreendedorismo. Nosso compromisso é dar continuidade a esse trabalho para que a cidade siga crescendo e gerando oportunidades.


Forças — Canoas está se tornando cada vez mais segura. As obras de proteção contra cheias estão avançando e os investimentos em segurança pública, como as 16 viaturas que entregamos para as forças de segurança e Guarda municipal, dão uma ótima perspectiva de futuro para nossa cidade.

Fraquezas — Sabemos que as pessoas depositam uma expectativa muito grande no nosso trabalho e que, às vezes, algumas demandas não poderão ser atendidas da forma como gostaríamos. Continuamos e continuaremos sempre priorizando pautas que são relevantes para o todo da cidade, como a reconstrução e a segurança pública.

Oportunidades — A reconstrução já está movimentando a economia e vai deixar um legado permanente. As obras, a habitação, a logística, a indústria e a tecnologia vão abrir espaço para novos investimentos e mais empregos. Quem estiver preparado vai crescer junto com Canoas.

Ameaças — A cidade que para de investir perde oportunidades. Por isso seguimos fazendo a nossa parte, investindo em infraestrutura, fortalecendo a segurança, avançando na reconstrução e criando um ambiente cada vez melhor para os canoenses. Esse é o caminho que escolhemos e vamos seguir.


Canoas tem tamanho de metrópole e grande PIB, mas o seu futuro até 2036 depende de decisões concretas que busquem transformá-la em referência em inovação e qualidade de vida, com a atração de empregos e de investimento. Ou seja, entendo que a questão central gira em torno de alcançar progresso social, combinando infraestrutura inteligente, estabilidade econômica, formação de pessoas e equilíbrio ambiental, por meio de um planejamento urbano que coloque os cidadãos no centro das decisões e encontre a real vocação do nosso município. 

Um exemplo disso podemos ver em cidades que se reinventaram nas últimas décadas, como Barcelona, Viena e Melbourne, que apostaram na inovação e no desenvolvimento, tornando-se o que denominamos de cidades inteligentes. Na nossa região, o Pacto Alegre, iniciativa vigente na região metropolitana, mostra que a governança colaborativa funciona. Canoas precisa, urgentemente, desenhar o seu próprio pacto de futuro.


Forças — Canoas entra na próxima década com três motores competitivos diferenciados: localização e logística, densidade industrial e um polo educacional consolidado. Primeiro, nossa posição geográfica na região metropolitana é estratégica, cortada por eixos logísticos vitais (BR-116 e BR-448) e colada no aeroporto. Somos um hub natural de escoamento e distribuição do RS. Precisamos aproveitar esse potencial. Segundo, temos um PIB industrial robusto e uma tradição de forte resiliência econômica. Terceiro — e aqui entra o papel da Unilasalle —, somos uma cidade que produz conhecimento. A presença de Universidades oportuniza a criação de um ecossistema para a formação e a qualificação das pessoas, bem como para a transição em direção à economia do conhecimento, à inovação e ao desenvolvimento sustentável.

 Fraquezas — Para crescer com qualidade, precisamos encarar nossos gargalos históricos. Entendo que a maior dor de Canoas é a falta de um plano de longo prazo, algo como o Pacto Alegre, bem como a desconexão entre o crescimento econômico e o desenvolvimento urbano e social. Além disso, há a evasão de profissionais talentosos, que aqui são formados, a vulnerabilidade climática e social da população, e a imagem de uma cidade dormitório. De modo geral, necessitamos identificar a vocação da cidade e estabelecer um planejamento urbano, para os próximos anos, que considere a atração de investimentos e empregos, a implantação de infraestruturas inteligentes e a busca por resiliência climática.

 Oportunidades — Não é fácil fazer uma projeção para os próximos 10 anos, visto o rápido desenvolvimento tecnológico e os impactos das crises climáticas que estamos vivenciando. Entendo que a economia de Canoas em 2036 vai girar na intersecção entre a reindustrialização tecnológica verde, a logística avançada de precisão (IA e dados), a economia da saúde, a oferta de serviços corporativos diferenciados, bem como a educação, com instituições educacionais de excelência.

 Ameaças — Acredito que o maior risco para Canoas até 2036 pode ser traduzido na dificuldade estratégica de projetar o futuro - definir claramente os rumos a seguir -, paralisando projetos por falta de consensos. Outro risco poderá ser a falta de integração efetiva entre a iniciativa privada, as Universidades, o poder público e a sociedade civil - a quádrupla hélice da inovação e do desenvolvimento sustentável. Para fazer frente a isso, entendo que necessitamos avançar no estabelecimento de um pacto de inovação e de crescimento, que considere a vocação da cidade e das pessoas, identificando os ativos já existentes, as áreas prioritárias de intervenção e os investimentos que serão necessários para mitigar os riscos que hoje existem.



Forças — Canoas tem uma força muito importante: a sua localização estratégica, no coração da Região Metropolitana, conectada a importantes rodovias, próxima à capital, ao aeroporto, ao polo industrial e a grandes centros consumidores.

Além disso, temos uma base econômica diversificada, com indústria, comércio, serviços, educação, tecnologia e uma população trabalhadora, empreendedora e resiliente. Canoas já demonstrou muitas vezes sua capacidade de se reconstruir, se reinventar e seguir produzindo.

Para os próximos 10 anos, acredito que a grande força de Canoas será transformar essa posição estratégica em desenvolvimento sustentável, com mais infraestrutura, inovação, qualificação profissional e segurança para empreender. A cidade tem todos os elementos para ser um polo ainda mais relevante de desenvolvimento econômico e social no Rio Grande do Sul.

Fraquezas — A maior dor de Canoas talvez seja reconhecer que, apesar de sua força econômica e de sua localização estratégica, a cidade ainda convive com problemas estruturais que limitam seu potencial.

Temos gargalos importantes de mobilidade, infraestrutura urbana, drenagem, segurança, qualificação de mão de obra e ocupação desordenada de algumas regiões. Também precisamos admitir que Canoas, por muito tempo, não se pensou com a grandeza que tem. Muitas vezes reagimos aos problemas, em vez de planejar o futuro.

Outra dor é a distância entre o potencial da cidade e a autoestima coletiva do canoense. Canoas precisa voltar a acreditar em si, valorizar sua história, sua capacidade produtiva e sua gente, com saúde e educação adequados ao PIB que Canoas representa.

Oportunidades — A economia de Canoas deve girar, nos próximos 10 anos, em torno de alguns grandes eixos: indústria, tecnologia, logística, serviços qualificados, educação e saúde.

 A cidade pode se fortalecer como um polo de conexão entre produção, distribuição, inovação e consumo.

Vejo também grandes oportunidades na modernização da indústria, na economia digital, na formação de mão de obra qualificada e na atração de novos investimentos. Outro ponto importante será a reconstrução e a adaptação da cidade aos desafios climáticos, com obras de infraestrutura, drenagem, habitação e planejamento urbano.

A próxima década será de quem conseguir unir desenvolvimento econômico, inovação, sustentabilidade e qualidade de vida. Canoas tem potencial para ser protagonista nesse movimento, desde que tenha planejamento, articulação e coragem para pensar grande.

Ameaças — O que pode dar errado é Canoas não enfrentar seus problemas estruturais com a urgência e a coragem necessária.

A cidade pode perder competitividade se não avançar em infraestrutura, mobilidade, segurança, drenagem, planejamento urbano e especialmente qualidade de vida para sua população.

Outra ameaça é a falta de continuidade. Desenvolvimento não se constrói em ciclos curtos, nem com projetos que começam e terminam conforme governos mudam. Canoas precisa de uma agenda de longo prazo, pactuada entre poder público, setor produtivo, entidades, universidades e sociedade civil.

Também precisamos olhar com seriedade para os eventos climáticos extremos. Não podemos tratar enchentes, alagamentos e vulnerabilidades urbanas como fatos isolados. Eles impactam vidas, empresas, empregos e a confiança de quem quer investir.

O maior risco, no entanto, é Canoas se acostumar com menos do que pode ser. Quando uma cidade perde ambição, ela deixa de disputar investimentos, talentos e oportunidades.



Forças — Canoas possui uma localização estratégica, forte vocação empreendedora e um comércio diversificado, capaz de atender diferentes perfis de consumidores. Além disso, conta com uma base empresarial resiliente, que demonstrou sua capacidade de adaptação diante de grandes desafios. O futuro passa pela integração entre comércio, serviços, tecnologia e inovação, mantendo a cidade como um importante polo econômico da Região Metropolitana.

Fraquezas - Ainda enfrentamos desafios importantes em infraestrutura urbana, mobilidade, segurança e na velocidade das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento econômico. Também é necessário acelerar a transformação digital das pequenas e médias empresas, pois muitos empreendedores ainda encontram dificuldades para competir em um mercado cada vez mais conectado e orientado por dados. Outro ponto importante de ressaltar é escassez de mão de obra qualificada, contratar e reter colaboradores é uma tarefa cada vez mais difícil, principalmente para as pequenas empresas.

Oportunidades — O consumidor será cada vez mais omnichannel. O varejo do futuro não será físico ou digital: será integrado. A loja física continuará sendo um espaço de experiência, relacionamento e confiança, enquanto a tecnologia proporcionará conveniência, rapidez e personalização. Empresas que oferecerem excelência no atendimento, presença digital consistente, entregas ágeis e uma experiência fluida entre todos os canais estarão mais preparadas para crescer. Canoas tem potencial para consolidar esse novo modelo de consumo, fortalecendo também os negócios locais por meio do associativismo, da inovação e das conexões empresariais.

Ameaças – A maior ameaça é perder competitividade para outros centros comerciais e para grandes plataformas digitais, caso não haja investimentos contínuos em inovação, qualificação empresarial e melhoria do ambiente de negócios. Também precisamos considerar os impactos das mudanças climáticas, que exigem planejamento urbano, infraestrutura resiliente e políticas permanentes de prevenção. O desenvolvimento econômico sustentável dependerá da capacidade de empresas, entidades e poder público trabalharem de forma integrada para tornar Canoas uma cidade cada vez mais preparada para empreender e consumir.

A loja física não perdeu relevância; ela evoluiu para ser um espaço de experiência e relacionamento, enquanto o digital amplia conveniência e alcance. O consumidor espera transitar entre esses canais sem perceber barreiras.



O principal ativo de Canoas é sua posição logística, escala urbana e diversidade econômica. O principal desafio é sua vulnerabilidade climática e a necessidade de construir uma identidade econômica mais forte e inovadora. A grande oportunidade da próxima década pode estar justamente na transformação da cidade em uma referência nacional em logística, resiliência climática e inovação urbana, convertendo um desafio recente em vantagem competitiva.


Forças

•⁠ ⁠Localização estratégica no principal eixo logístico do Rio Grande do Sul.

•⁠ ⁠Forte base industrial e de serviços.

•⁠ ⁠Presença da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e de outras instituições de ensino técnico e superior.

•⁠ ⁠Grande mercado consumidor, sendo uma das cidades mais populosas do estado.

•⁠ ⁠Infraestrutura de mobilidade relativamente consolidada, com BR-116, Trensurb e proximidade ao aeroporto.

•⁠ ⁠Capacidade de atrair investimentos pela proximidade com Porto Alegre sem os mesmos custos da capital.

•⁠ ⁠Tradição empreendedora e diversificação econômica superior à média regional.


Fraquezas

•⁠ ⁠Dependência excessiva da dinâmica econômica da Região Metropolitana e de Porto Alegre.

•⁠ ⁠Baixa identidade econômica própria perante investidores externos.

•⁠ ⁠Problemas históricos de planejamento urbano e ocupação de áreas de risco.

•⁠ ⁠Vulnerabilidade a enchentes e eventos climáticos extremos, evidenciada nos últimos anos.

•⁠ ⁠Desigualdades significativas entre bairros.

•⁠ ⁠Percepção de insegurança em determinadas regiões.

•⁠ ⁠Dificuldade de retenção de talentos qualificados, que muitas vezes migram para Porto Alegre ou outros centros.


Oportunidades

•⁠ ⁠Logística avançada e centros de distribuição impulsionados pelo e-commerce.

•⁠ ⁠Economia verde e projetos de adaptação climática.

•⁠ ⁠Reindustrialização com foco em tecnologia e automação.

•⁠ ⁠Saúde, biotecnologia e serviços especializados.

•⁠ ⁠Tecnologia da informação e serviços digitais.

•⁠ ⁠Desenvolvimento de parques tecnológicos e integração universidade-empresa.

•⁠ ⁠Economia da reconstrução e da resiliência urbana após os eventos climáticos recentes.

•⁠ ⁠Expansão de energias renováveis e soluções de eficiência energética.


Ameaças

•⁠ ⁠Novos eventos climáticos extremos com impactos ainda maiores sobre infraestrutura e habitação.

•⁠ ⁠Perda de competitividade industrial para outras regiões.

•⁠ ⁠Estagnação econômica nacional prolongada.

•⁠ ⁠Fuga de empresas e investimentos para municípios com incentivos mais agressivos.

•⁠ ⁠Aumento dos custos de adaptação climática e manutenção urbana.

•⁠ ⁠Crescimento da desigualdade social e pressão sobre serviços públicos.

•⁠ ⁠Envelhecimento populacional sem geração suficiente de empregos qualificados.

•⁠ ⁠Dependência excessiva de decisões estaduais e federais para grandes investimentos estruturantes.



⁠Forças — Canoas tem vocação para crescer nas próximas décadas. Para isso, basta gestão pública focada em investimento real e estratégico. Nossos principais ativos são:

 1. Logística: Posição geográfica privilegiada no centro do estado, ao lado da Capital. Isso atrai indústrias, centros de distribuição e empresas de serviços.

 2. Hidrovia: Somos banhados por dois rios e quatro arroios importantes. Podemos usar o transporte naval para reduzir custos logísticos e criar uma orla urbana, com espaços de lazer e moradia às margens dos rios.

 3. Educação e Saúde: Temos 3 faculdades presenciais, 10 polos EaD, 1 Instituto Federal e 3 hospitais. Com investimento correto, podemos ser polo regional de ensino superior e de saúde de alta complexidade.

 4. Comércio e PIB: Somos o 3º maior PIB do RS e o 9º do Sul. Temos comércio forte, 2 grandes shoppings e centros comerciais em todos os bairros. Potencial para virar polo de consumo para os municípios do entorno.

Meta: Avançar para o 2º PIB do estado e 6º do Sul, gerando mais emprego e renda para o canoense viver e trabalhar aqui.

Fraquezas — Nosso maior gargalo histórico é a gestão pública. Falta de capacidade técnica, recursos não chegam onde deveria chegar e excesso de cargos comissionados drenam verbas que deveriam ir para infraestrutura, saúde, educação e segurança. 

Nas últimas décadas, o município foi tratado como moeda de troca política, o que travou o crescimento.  Exemplo recente: As enchentes atingiram mais de 50% da cidade e, até hoje, não temos um plano de prevenção e proteção com garantias concretas, apesar da chegada de recursos. As disputas políticas impediram o foco no que realmente importa: o povo de Canoas.

Oportunidades — Na tecnologia, logística 4.0 e economia do cuidado. Mas tecnologia só cresce onde há logística, mão de obra qualificada e qualidade de vida. 

Canoas pode atrair empresas de tecnologia, e-commerce, centros de distribuição e serviços especializados por nossa localização. Isso gera empregos novos, aumenta a arrecadação de ISS e ICMS e cria um ciclo: o canoense trabalha, vive e consome em Canoas.

Para isso, precisamos de: estabilidade jurídica, desburocratização, parques tecnológicos e distritos industriais preparados.

Ameaças — A ameaça real é a continuidade de administrações sem planejamento técnico, visão de longo prazo e controle sobre o gasto público. Se mantivermos a política de curto prazo, sem planos de infraestrutura, drenagem e resiliência climática, vamos perder todas as nossas vantagens competitivas. Risco maior: Uma nova crise climática sem prevenção, somada à instabilidade fiscal, pode levar Canoas de volta à estagnação. 

Que tenhamos a responsabilidade à altura das oportunidades que Deus nos deu. Canoas tem tudo para ser um dos melhores municípios do estado. Merecemos mais do que vivemos hoje.


Forças — Respondendo à pergunta número um: o que Canoas tem de melhor para os próximos 10 anos — e até mais, eu diria para todo o sempre — é a excelente localização no lado norte da capital do estado. Todo mundo passa por Canoas.

A ideia é revitalizar a BR-116 de sul a norte, nesses 13 quilômetros que a cidade possui da rodovia, transformando-a em uma verdadeira vitrine do que Canoas é e pode oferecer. Esse é o meu primeiro ponto.

Além disso, há a questão logística da cidade, que ainda tem espaço para a instalação de empresas de modo geral e, principalmente, indústrias. A saída daqui é facilitada por trem, avião e estradas como a BR-116, a 448 e a 290 (Freeway). Portanto, há muitas alternativas logísticas para as empresas que desejarem se instalar aqui. Esse é o primeiro ponto.

Fraquezas — Sobre fraquezas, eu apontaria a capacidade da cidade de se defender de novas cheias. Eu sei que a prefeitura está fazendo de tudo para melhorar essa situação, mas não é fácil; o que se precisa é de muita coisa. Enfim, isso vai sendo feito aos poucos, por assim dizer, e vamos torcer para que não aconteça nenhuma grande tragédia nesse meio tempo.

Também diria que os extremos da cidade — em termos de localização — devem receber uma atenção maior quanto à criminalidade. Apesar de os índices serem bons, para que se mantenham dentro desses parâmetros, é importante continuar trabalhando em cima dessas regiões, que são os pontos frágeis da cidade em termos de segurança.

Há também a questão do deslocamento dentro da cidade, que precisa ser melhorada. Essas vias de conexão entre bairros, como por exemplo a Rua Tamoio, que está destruída... essa e outras ruas ainda precisam melhorar bastante na questão da pavimentação.

E, por fim, a questão da educação. Nem digo a saúde, porque a saúde é um problema muito mais complexo, já que envolve cerca de 150 municípios que têm Canoas como referência. Esse fluxo de pessoas que vêm utilizar o sistema instalado em Canoas gera um problema bem complexo. Não está errado, só que Canoas precisa se preparar para isso. Enfim, essa seria a parte que eu vejo de fraquezas.

Oportunidades — Sobre oportunidades, eu entendo que a cidade precisa receber indústrias, principalmente indústrias de transformação. Como, por exemplo, a indústria eletrônica e a mecatrônica — setores que possuem alto valor agregado em sua produção e que geram empregos de qualidade.

Em termos de comércio, Canoas já passou do ponto; tanto que, quando novos estabelecimentos abrem, acabam fechando outros já existentes ou reduzindo o mercado deles. Portanto, agora precisamos focar em atrair indústrias. A posição geográfica da cidade é única, então temos que reforçar essa vantagem e trazer empresas para cá, pois a indústria gera riqueza e, consequentemente, gera empregos.

Ainda existem áreas que podem ser utilizadas para atrair investimentos nesse sentido. Não é um processo fácil, até porque Canoas compete com outras cidades em termos de espaço — não de localização ou logística, mas de espaço físico disponível. Contudo, ainda há terrenos a serem explorados, e eles devem ser aproveitados com esse foco: a indústria.

Ameaças — É difícil falar em ameaças, como o quarto item, sem falarmos de questões políticas. Então, precisamos seguir com administrações que priorizem a educação: o ensino médio e o ensino profissionalizante, para capacitar os jovens a exercerem trabalhos melhor remunerados.

Além disso, precisamos de menos assistencialismo, porque isso não leva a nada; só destrói ainda mais a economia do país e da cidade, para começo de conversa. No fim, precisamos de partidos que — embora seja ruim entrar nesse campo — vejam no trabalho a dignidade do homem. É isso.



Forças — Canoas reúne características que poucas cidades conseguem concentrar. Tem localização estratégica, uma forte vocação logística, parque industrial consolidado, instituições de ensino e pesquisa de excelência, caso da Ulbra, além de uma população empreendedora e qualificada. Nos últimos anos, especialmente após as enchentes, vimos algo ainda mais importante: a capacidade de união entre poder público, universidades, setor produtivo e sociedade civil. Essa articulação será decisiva para construir uma cidade mais inovadora, resiliente e preparada para os desafios da próxima década.

Fraquezas — Acredito que o maior desafio de Canoas seja aproveitar todo o potencial que a cidade possui. Temos uma localização privilegiada, um parque industrial importante, universidades de excelência e pessoas extremamente qualificadas. O que precisamos é fortalecer ainda mais a integração entre poder público, setor produtivo, instituições de ensino e sociedade civil. Quando esses atores caminham juntos, os projetos ganham escala, a inovação acontece com mais rapidez e o desenvolvimento chega de forma mais consistente para toda a comunidade.

Oportunidades — Acredito que a próxima década será marcada pela economia do conhecimento. Tecnologia, saúde, educação, inteligência artificial, indústria avançada, sustentabilidade e logística inteligente estarão entre os principais motores do desenvolvimento. Canoas já possui ativos importantes nessas áreas e tem condições de liderar esse movimento. As universidades, como a Ulbra, terão um papel ainda mais estratégico na formação de profissionais, na produção de pesquisa aplicada e na criação de soluções para os desafios da sociedade e das empresas.

Ameaças — O maior risco é perdermos a capacidade de planejar pensando no longo prazo. Se cada instituição trabalhar de forma isolada, desperdiçaremos oportunidades importantes. Também precisamos estar preparados para desafios climáticos, que infelizmente passaram a fazer parte da nossa realidade, além das rápidas transformações tecnológicas que exigirão constante atualização profissional. A cidade que investir em educação, inovação e cooperação será mais competitiva. Canoas tem todas as condições para isso, desde que mantenha esse espírito de integração e visão de futuro.

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