A minha matriz SWOT do futuro de Canoas: Ir. Cledes Casagrande
Cledes Casagrande é reitor da Universidade La Salle em Canoas e aceitou o convite do pulso360 para contribuir com nossa reportagem especial sobre o futuro da cidade
Canoas tem tamanho de metrópole e grande PIB, mas o seu futuro até 2036 depende de decisões concretas que busquem transformá-la em referência em inovação e qualidade de vida, com a atração de empregos e de investimento. Ou seja, entendo que a questão central gira em torno de alcançar progresso social, combinando infraestrutura inteligente, estabilidade econômica, formação de pessoas e equilíbrio ambiental, por meio de um planejamento urbano que coloque os cidadãos no centro das decisões e encontre a real vocação do nosso município.
Um exemplo disso podemos ver em cidades que se reinventaram nas últimas décadas, como Barcelona, Viena e Melbourne, que apostaram na inovação e no desenvolvimento, tornando-se o que denominamos de cidades inteligentes. Na nossa região, o Pacto Alegre, iniciativa vigente na região metropolitana, mostra que a governança colaborativa funciona. Canoas precisa, urgentemente, desenhar o seu próprio pacto de futuro.
Forças — Canoas entra na próxima década com três motores competitivos diferenciados: localização e logística, densidade industrial e um polo educacional consolidado. Primeiro, nossa posição geográfica na região metropolitana é estratégica, cortada por eixos logísticos vitais (BR-116 e BR-448) e colada no aeroporto. Somos um hub natural de escoamento e distribuição do RS. Precisamos aproveitar esse potencial. Segundo, temos um PIB industrial robusto e uma tradição de forte resiliência econômica. Terceiro — e aqui entra o papel da Unilasalle —, somos uma cidade que produz conhecimento. A presença de Universidades oportuniza a criação de um ecossistema para a formação e a qualificação das pessoas, bem como para a transição em direção à economia do conhecimento, à inovação e ao desenvolvimento sustentável.
Fraquezas — Para crescer com qualidade, precisamos encarar nossos gargalos históricos. Entendo que a maior dor de Canoas é a falta de um plano de longo prazo, algo como o Pacto Alegre, bem como a desconexão entre o crescimento econômico e o desenvolvimento urbano e social. Além disso, há a evasão de profissionais talentosos, que aqui são formados, a vulnerabilidade climática e social da população, e a imagem de uma cidade dormitório. De modo geral, necessitamos identificar a vocação da cidade e estabelecer um planejamento urbano, para os próximos anos, que considere a atração de investimentos e empregos, a implantação de infraestruturas inteligentes e a busca por resiliência climática.
Oportunidades — Não é fácil fazer uma projeção para os próximos 10 anos, visto o rápido desenvolvimento tecnológico e os impactos das crises climáticas que estamos vivenciando. Entendo que a economia de Canoas em 2036 vai girar na intersecção entre a reindustrialização tecnológica verde, a logística avançada de precisão (IA e dados), a economia da saúde, a oferta de serviços corporativos diferenciados, bem como a educação, com instituições educacionais de excelência.
Ameaças — Acredito que o maior risco para Canoas até 2036 pode ser traduzido na dificuldade estratégica de projetar o futuro - definir claramente os rumos a seguir -, paralisando projetos por falta de consensos. Outro risco poderá ser a falta de integração efetiva entre a iniciativa privada, as Universidades, o poder público e a sociedade civil - a quádrupla hélice da inovação e do desenvolvimento sustentável. Para fazer frente a isso, entendo que necessitamos avançar no estabelecimento de um pacto de inovação e de crescimento, que considere a vocação da cidade e das pessoas, identificando os ativos já existentes, as áreas prioritárias de intervenção e os investimentos que serão necessários para mitigar os riscos que hoje existem.