A minha matriz SWOT do futuro de Canoas: Simone Leite
Simone Leite é empresária e uma importante defensora do empreendedorismo feminino. Foi a primeira mulher a presidir a CICS Canoas e dirigir a Federasul, a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul. Simone foi convidada pelo pulso360 a escrever sobre Forças, Fraquezas, Oportunidade e Ameaças que a cidade de Canoas enfrentará nos próximos 10 anos. A seguir, o a contribuição que ela nos dá.
Forças — Canoas tem uma força muito importante: a sua localização estratégica, no coração da Região Metropolitana, conectada a importantes rodovias, próxima à capital, ao aeroporto, ao polo industrial e a grandes centros consumidores.
Além disso, temos uma base econômica diversificada, com indústria, comércio, serviços, educação, tecnologia e uma população trabalhadora, empreendedora e resiliente. Canoas já demonstrou muitas vezes sua capacidade de se reconstruir, se reinventar e seguir produzindo.
Para os próximos 10 anos, acredito que a grande força de Canoas será transformar essa posição estratégica em desenvolvimento sustentável, com mais infraestrutura, inovação, qualificação profissional e segurança para empreender. A cidade tem todos os elementos para ser um polo ainda mais relevante de desenvolvimento econômico e social no Rio Grande do Sul.
Fraquezas — A maior dor de Canoas talvez seja reconhecer que, apesar de sua força econômica e de sua localização estratégica, a cidade ainda convive com problemas estruturais que limitam seu potencial.
Temos gargalos importantes de mobilidade, infraestrutura urbana, drenagem, segurança, qualificação de mão de obra e ocupação desordenada de algumas regiões. Também precisamos admitir que Canoas, por muito tempo, não se pensou com a grandeza que tem. Muitas vezes reagimos aos problemas, em vez de planejar o futuro.
Outra dor é a distância entre o potencial da cidade e a autoestima coletiva do canoense. Canoas precisa voltar a acreditar em si, valorizar sua história, sua capacidade produtiva e sua gente, com saúde e educação adequados ao PIB que Canoas representa.
Oportunidades — A economia de Canoas deve girar, nos próximos 10 anos, em torno de alguns grandes eixos: indústria, tecnologia, logística, serviços qualificados, educação e saúde.
A cidade pode se fortalecer como um polo de conexão entre produção, distribuição, inovação e consumo.
Vejo também grandes oportunidades na modernização da indústria, na economia digital, na formação de mão de obra qualificada e na atração de novos investimentos. Outro ponto importante será a reconstrução e a adaptação da cidade aos desafios climáticos, com obras de infraestrutura, drenagem, habitação e planejamento urbano.
A próxima década será de quem conseguir unir desenvolvimento econômico, inovação, sustentabilidade e qualidade de vida. Canoas tem potencial para ser protagonista nesse movimento, desde que tenha planejamento, articulação e coragem para pensar grande.
Ameaças — O que pode dar errado é Canoas não enfrentar seus problemas estruturais com a urgência e a coragem necessária.
A cidade pode perder competitividade se não avançar em infraestrutura, mobilidade, segurança, drenagem, planejamento urbano e especialmente qualidade de vida para sua população.
Outra ameaça é a falta de continuidade. Desenvolvimento não se constrói em ciclos curtos, nem com projetos que começam e terminam conforme governos mudam. Canoas precisa de uma agenda de longo prazo, pactuada entre poder público, setor produtivo, entidades, universidades e sociedade civil.
Também precisamos olhar com seriedade para os eventos climáticos extremos. Não podemos tratar enchentes, alagamentos e vulnerabilidades urbanas como fatos isolados. Eles impactam vidas, empresas, empregos e a confiança de quem quer investir.
O maior risco, no entanto, é Canoas se acostumar com menos do que pode ser. Quando uma cidade perde ambição, ela deixa de disputar investimentos, talentos e oportunidades.